Pacotes no Japão e nos EUA trazem nova euforia às bolsas

Produção industrial e vendas no varejo americano devem dar indícios da velocidade na retomada. Medo segue por novas ondas de contágio por coronavírus

Por Redação EXAME
Publicado em: 16/06/2020 às 06h54

BOLSA EM TÓQUIO: índice subiu 4,88% com possível novo pacote de 1 trilhão de dólares para impulsionar a economia japonesa (Issei Kato/Reuters)

 

Um novo dia, um novo debate sobre para onde vão as bolsas de valores mundo afora. Investidores e analistas seguem tentando entender se o otimismo das últimas semanas ficou para trás com novas ondas de contágio do coronavírus, ou se há espaço para uma nova leva de valorização nas ações. Ontem, o Ibovespa fechou em leve queda, de 0,45%, mas o índice americano S&P 500 fechou em alta, de 0,83%.

Nesta terça-feira, as bolsas internacionais começaram o dia em forte alta. Tóquio subiu 4,88% e Hong Kong avançou 2,39%. Na Europa, o índice londrino subia 2,52% às 7h de Brasília. Índices futuros do S&P subiam 1,4% no mesmo horário. O otimismo está ligado a novas levas de pacotes anti-cíclicos. O Banco do Japão anunciou que prevê injetar 1 trilhão de dólares na economia, além de 700 bilhões já projetados.

Uma reportagem da agência Bloomberg que mostra que o presidente americano, Donald Trump, prepara um novo pacote de estímulo, desta vez à infraestrutura, de 1 trilhão de dólares. Ontem, o Fed, o banco central americano, disse que pode iniciar um amplo programa de compras de títulos de empresas em dificuldades. Nesta terça-feira, Jerome Powell, o presidente do Fed, deve entregar seu relatório semestral de políticas monetárias ao Congresso.

A produção industrial dos Estados Unidos, a ser divulgada hoje, deve mostrar retração de 15% em relação a maio de 2019. É um golpe, mas menor que o sentido nos serviços, o setor que caracteriza a crise do coronavírus. A revista Economist destaca que as compras de cartão de crédito estão se recuperando rapidamente com a reabertura econômica. O departamento americano de comércio divulga hoje as vendas no comércio em maio, com previsão de avanço de 8% (um recorde mensal) após queda de 16,4% em abril e de 8,3% em março.

O maior risco ao ânimo segue sendo uma nova onda de contágio do coronavírus. A ameaça vinda de um marcado de alimentos em Pequim segue no radar, assim como novas ondas nos Estados Unidos. A Agência Internacional do Petróelo, por sua vez, anunciou uma projeção de queda recorde na demanda, em 2020, de 8 milhões de barris por dia, seguida de um avanço de 5,7 milhões de barris diários em 2021. Mais uma mostra de que a recuperação da economia deve levar de dois a três anos, embora as bolsas já precificaram a volta nas últimas semanas. Sinal de que a volatilidade dará o tom a cada novo pacote, a cada novo indicador.

 

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